Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Programa de Comunicação e Semiótica

PUC

 

 

 

 

 

 

Telepresença:

A INTERAçÃO através de INTERFACES

 

Orientador

Dr. Artur Matuck

 

 

 

Pesquisa de Doutorado

Yara Rondon Guasque Araujo

 

 

 

 

Intermídia

CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

A presença virtual através de interfaces na Telepresença e na Realidade Virtual levanta questões epistemológicas como: Podemos ou não confiar em nossa percepção em um ambiente simulado? Apesar das pesquisas convergirem para uma maior integração entre as duas, a diferença básica é que na Realidade Virtual o indivíduo se sente imerso num mundo gerado artificialmente, e na Telepresença em um espaço real. Mas interagimos mesmo que inconscientemente com a realidade através de interfaces. Assim a definição do que é Telepresença passa pela conceituação do que é presença e do que é real.

A palavra Telepresença é usada para designar o link entre o homem e um sistema robótico através de canais sensórios via telecomunicações. O robô receberia as informações dos movimentos do homem e agiria de acordo com o estímulo, e vice-versa. Mas o termo tem outras significações além das aplicações da telerobótica, como estar ausente do local físico e se sentir transportado para um ambiente mediatizado; interagir remotamente e estar imerso em uma situação física distante, virtual ou ainda imaginária, quando o ambiente é gerado mentalmente como nos sonhos. As experiências avaliativas de Frank Biocca sobre Telepresença concluem que o termo inclui duas dimensões: a de chegada e a de partida como próprias de um estado mental no qual a persuasão nos ambientes mediatizados tem um papel importante.

As novas tecnologias mudam as formas de interação social e de negociação de significados, além de reconfigurarem nossa noção de corpo, de realidade, e de presença. Como nossa concepção de espaço e tempo que sofreu uma transformação em 1850 com o surgimento da locomotiva, e hoje sofre outra nova com a multiplicação das web cameras. A Telepresença através das web cameras se torna mais comum, transformando diálogos ordinários em experiências multimídias como prevê Eduardo Kac. Mas é considerada como "baixa Telepresença" por ser a imersão insatisfatória, e também "Telepresença popular", por ser acessível a todos que estejam ligados na web através dos softwares CuseeMe, ivisit, etc.

O precursor da web camera foi Adam Riess que em 1916 criou sua Sehende Machine, um aparato que enviava sinais elétricos de imagens através do telefone, que eram novamente convertidos em imagens na outra ponta. Porém a primeira web camera na Internet foi a Trojan Room Coffee como é conhecida. Desenvolvida por dois cientistas de computação de Cambridge em 1991, Quentin Stattford-Fraser e Paul Jardetzky, o projeto consistiu em acoplar uma camera de vídeo apontada para um pote de café a um velho computador e a um selecionador de quadros (frame-grabber). Programado para capturar imagens e distribuí-las para diferentes partes do prédio, o aparato possibilitava que as pessoas verificassem se havia suficiente café no pote antes de descerem para tomarem café na sala Trojan (www.cl.cam.ac.uk.coffee/coffee.html).

Até o aparecimento da Net a televisão foi a tecnologia que mais se aproximou da experiência da Telepresença. O cinema e a televisão propiciam de alguma forma a ilusão de presença, mas suas estruturas comunicativas não permitem uma comunicação dialógica como o telefone o faz, mesmo que limitado à participação em rede e permitindo a interação de apenas duas pessoas por vez. Para essa ser satisfatória é necessário, segundo Held e Durlach, um display transparente, imagem com alta resolução, um amplo ângulo de visão associado a outras informações táteis e térmicas, e ainda a reatualização constante dos dados.

A videoconferência, que é a plataforma técnica de transmissão de imagens e de audio em tempo real com mais recursos para a interação face à face, estabelece uma comunicação via linha telefônica discada ou dedicada, ou à cabo, ou ainda no passado por satélite. Usada como meio de comunicação interna e externa de grandes empresas, que vêem essas tecnologias como possibilidade de redução dos investimentos tanto físico quanto econômico por reduzirem o esforço de locomoção de funcionários paras as reuniões, e também mais recentemente como ferramenta pedagógica fundamental do Ensino à Distância, a videoconferência pode ser definida como "uma aplicação que transporta sinais de vídeo e áudio digitalizadas, devidamente tratados por softwares de compressão e multiplexadores em única informação ou bit", permitindo com as novas cameras a transmissão de até 30 quadros por segundo a uma velocidade considerada razoável de 128 kbps. (Velocidades maiores são possíveis e permitem uma melhor interação à nível de expressão facial). Com a Intenet2 ela se tornará mais acessível, mas hoje essa tecnologia é cara e não está disponibilizada de imediato, requerendo preparo e reserva dos espaços com antecipação.

Há críticas entretanto ao modo que a videoconferência disponibiliza separadamente a imagem, o áudio e os dados, o que na visão de John Canny e Eric Paulos reforça o conceito cartesiano da separação entre corpo e mente e, inibe a imersão assim como a interação que depende da confiabilidade entre os indivíduos em diálogo. Por essa razão defendem o que chamam de "tele-encorporação", ou seja a ambientação propícia para que a interação seja de fato realizada através de códigos não-verbais, pela gestualização, expressão facial, e outras linguagens corporais. Os autores conjeturam que no futuro a Telepresença enfatizará mais a possibilidade de compartilhar confiança e intimidade entre os indivíduos envolvidos através das "social machines", como eles a denominam, do que a atual capacidade de manipulação e repetição de tarefas por autômatos como se dá na linha de pesquisa da robótica.

Com a tecnologia de banda larga da Internet2 um fluxo maior de informação poderá ser disponibilizada no monitor, por exemplo dois ou mais vídeos abertos em janelas lado a lado e ao mesmo tempo, e um número maior de usuários poderão interagir simultaneamente em uma videoconferência. Os aplicativos em 3D em Realidade Virtual e os programas de multi casting criarão novas narrativas interativas fundindo elementos virtuais e físicos, e contribuindo para uma maior imersão da Telepresença na Internet. Mas fica difícil assegurar quais interfaces serão utilizadas para um trabalho que exige a birecionalidade e a interação, pois a tecnologia da videoconferência, que trabalha com a interação em tempo real, se move muito rapidamente. Por exemplo em um curto espaço de tempo as transmissões com interatividade de audio e de imagem passaram do uso do data fone 64, para o RDSI ou ADSL (os dois últimos sistemas de comutação), para os testes recentes da Internet 2 sobre a estrutura do A.T.M. (Asynchronous Transfer Modem que permite velocidades acima de 2Mbitts). Além de que a interação depende de outros fatores de ordem psicológica que fogem aos imperativos técnicos, como a persuasão.

É consenso comum a atribuição do termo Telepresença para denominar a percepção, através de dispositivos de telecomunicações bidirecionais, de uma situação geográfica e temporal remota que envolva a reciprocidade entre observador e observado. O termo foi usado pela primeira vez em 1980 por Marvin Minsky em um sistema de teleoperação que envolvia a manipulação de objetos remotamente. Presença virtual ou link transparente (quando o Prop - Personal roving presence é usado) entre o homem e a máquina, ela é definida por Sheridan (1992) como um sistema homem/máquina no qual o operador humano recebe informação suficiente sobre o teleoperador e sobre a localidade do evento em questão, disponibilizada de maneira natural, de forma que o operador se sinta fisicamente presente em uma localidade remota (www.cdr.standford.edu/telepresence/definition.html acessado dia 10/09/99).

Thomas J. Campanella acha o termo ambicioso apesar da experiência surreal que ela propicia. Eduardo Kac conceitua a Telepresença como a interação através das telecomunicações que permita um feedback audiovisual, háptico e de força com o auxílio da robótica e da telerobótica. Sua definição extrapola a transmissão apenas de dados audiovisuais através das telecomunicações: para êle com a telerobótica se alcança a ação livre no espaço físico remoto; e "a arte da Telepresença é uma nova área de criação artística que se baseia no deslocamento dos processos cognitivos e sensoriais do participante para o corpo de um telerobô, que se encontra num espaço geograficamente remoto", o que enfatiza a transmissão de conhecimentos do homem para a máquina. Essa interação homem/máquina no entanto pode ter outros desdobramentos como a comunicação face à face mais voltada à interação interpessoal. Aí nos perguntamos se a interação mediada pela tecnologia entre interventor telepresente e presente, e a indistinção espacial e temporal - quando a noção cartesiana de espaço real é abstraída - , características dessa situação de presença virtual, já não são suficientes para a definirmos como Telepresença?

HISTÓRICO

Segundo Oliver Grau, historiador de arte que desenvolve pesquisa sobre História e Teoria da Realidade Virtual na Humboldt Universität de Berlim, pode-se falar de Telepresença desde o Sensorama de Morton Heilig.

O Sensorama de Morton Heilig de 1962 é considerado uma das primeiras aplicações de Realidade Virtual. A mesma limitação sentida em relação ao cinema era observada também quanto à televisão: o público só poderia assistir como se fosse através de uma grande janela ou moldura. O intento do cinerama era fazer com que a audiência se sentisse dentro da cena pela projeção em 180o sincronizada de três tomadas levemente diferenciadas entre si em relação ao ângulo de visão. O feito de Morton Heilig foi produzir um aparato que permitisse maior imersão do que o cinerama, embora o Sensorama possibilitasse a imersão a um único indivíduo por vez e não fosse interativo. O Sensorama simulator como foi patenteado - um termo entre o cinerama, que surgiu por volta de 1950 quando a televisão foi desenvolvida para competir com o filme, e a palavra panorama uma invenção do século XIX - , era um aparato destinado a simular uma experiência real pelas informações táteis, auditivas, visuais e olftativas. Constituído como uma máquina com som estéreo, cheiro, vento e um filme em três dimensões assistido em uma cadeira que tremia, o Sensorama dava ao espectador a sensação de estar andando sobre uma motocicleta através do Brooklyn. O projeto maior de Morton Heilig era o Experience Theater que entre outras coisas disponibilizaria ao público um aparato estereofônico e televisivo semelhante aos visores óptico-estéreos usados na Realidade Virtual hoje.

A tecnologia das telecomunicações introduziram novos tópicos de pesquisa para os artistas: a interatividade, a simulação e a inteligência artificial. A revista Kunstforum (1988) publicou em dois volumes um debate sobre arte e tecnologia intitulado "Ästhetik des Immateriellen". Entre editores, curadores de arte, artistas e filósofos, participaram do debate Florian Rötzer, Jürgen Claus, David Galloway, Frank Popper, René Berger, Vilém Flusser, Louis Bec, Valie Export, Gillo Dorfles, Peter Weibel, Gene Youngblood, Frieder Nake, Marc le Bot, Stanislaw Lem, Paul Virilio, Friedrich Kittler e Jean Pierre Jeudy. David Galloway (1988) - na época diretor do Museu de Arte Contemporânea de Teheran - destaca a Art and Technology de Maurice Tuchman para o Los Angeles County Museum of Art como um dos mais ambiciosos projetos de arte e tecnologia até então. Porque os artistas tiveram a oportunidade de pesquisarem novos materiais e tecnologias que estavam sendo desenvolvidos pelos engenheiros do que, apenas, obterem financiamento para seus próprios trabalhos. O Experiments in Art and Technology de Rauschenberg contou em 1966 com a importante ajuda do engenheiro sueco Billy Klüver - assistente de Tinguely na construção da Máquina-auto-destrutiva em Homenage to New York de 1970. Assim como esses, outros projetos colaborativos entre arte e tecnologia ganharam terreno nos Estados Unidos desde a fundação do Center of Advanced Visual Studies em 1967 no Massachussetts Institute of Technology por Gyorgy Kepes (aluno de Moholy Nagy no Instituto de Design em Chicago).

Após o fechamento da Bauhaus na Alemanha o diálogo entre arte e tecnologia é recuperado apenas em 1965 com a primeira exposição de arte gerada por computador na faculdade técnica de Stuttgart, organizada por três matemáticos: Frieder Nake, A. Michael Noll e George Nesse. Em Paris o grupo Art et Information da Universidade de Vincennes desde 1969 pesquisava o potencial do computador como meio artístico (por exemplo a música eletrônica de Piere Barbeou). E já na mostra londrina de 1968, Cybernetic Serendipity, Nam June Paik expunha suas vídeo-esculturas, junto a desenhos gerados eletronicamente e música feita por sintetizadores.

Dentre as várias exposições que significaram uma erupção e impuseram uma reflexão sobre as novas tecnologias, Frank Popper (1988) - professor de estética e tecnologia da arte na Universidade de Paris VIII, nascido em 1918 em Praga - destaca as que mais forçaram os artistas a refletirem sobre as implicações psicossociais que as novas tecnologias ocasionaram ao introduzirem conceitos de trabalhos colaborativos, interativos e imersivos: a Bienal de Veneza de 1986; Les Immatériaux (1985) em Paris, exposição cujo mentor intelectual foi François Lyotard; Kunst und Technologie (1984) em Bonn; Electra (1983); e Ars Eletronica em Linz que acontece anualmente desde 1979. Também cita Les Machines Sentimentales com as esculturas-robô montadas no convento de Villeneuve-lez-Avignon em 1986; Imaginaire et Technologies na Biblioteca estadual de Bagneux (1987); e Les Mécaniciens de l’Imaginaire na cidade das ciências e da indústria de La Villette em Paris (1987).

Frank Popper sublinha dentre os trabalhos de eletrografias, vídeos, esculturas cibernéticas, holografias, e Environments eletrônicos, solares e aquáticos, e videotextos apresentados no Electra (1983), o evento de Dan Karavan na paisagem urbana de Paris que ligou o Museu de Arte Moderna, a Torre Eiffel e a de Assur por raios laser. Nessa exposição muitos trabalhos enfatizavam a interatividade como uma questão emergente, como o de Tom de Witt, Sonia Sheridan, Nelson Max e Roy Ascott da seção de "Imagens Numéricas" organizada por Edmond Couchot. Para Roy Ascott os Netzewerke telemáticos oportunizam a efetivação por parte dos artistas de uma cultura planetária interativa baseada na comunicação entre diversas pessoas. Em Electra ele instalou um terminal telefônico de dados, através do qual conectava artistas de diversos cantos do mundo que interagiam na elaboração coletiva de uma fábula, que foi apresentada impressa no hall do museu. O público podia colocar questões aos co-autores e sugerir outros encaminhamentos à narrativa - uma participação no processo criativo só foi permitida pelo rearranjamento do papel do artista na sociedade desencadeado pelo próprio artista, como Frank Popper destaca. O título do trabalho La Plissure du Texte ao ver de Edmond Couchot enfatiza que a essência da comunicação reside nas dobras das camadas de sentido do texto. Porque não somente o público e os muitos artistas participavam da narrativa, mas o próprio computador desempenhava o papel de mediador interativo. Já em Les Immaterériaux foi mais abordada a questão filosófica que concerne ao fato de convivermos mais com objetos imateriais, simulados numericamente e propagados pelos meios de telecomunicação, do que com objetos matéricos.

No Brasil segundo Gilbertto Prado os experimentos de arte e telecomunicações usando a televisão de varredura lenta se iniciaram em 14 de outubro de 1986, quando se estabeleceu a Sky Art Conference entre o Center for Advanced Visual Studies, coordenado por Otto Piene com a Escola de Comunicações e Artes da Usp, coordenado por José Wagner Garcia. Depois o projeto Intercities de 1988 de Artur Matuck ligou as cidades de São Paulo e Pittsburgh usando também a televisão de varredura lenta. Entre as cidades de Viena, Lisboa, Boston, Baltimore, Pittsburgh, Chicago, Vancouver e Los Angeles participaram São Paulo e Campinas do evento através de transmissões de varredura lenta e fax para celebrar o Dia da Terra, Earthday 90 Global Telematic Network & Impromptu, organizado pelo grupo DAX situado na Universidade de Carnegie-Mellon, Pittsburgh. Entre os vários artistas que participaram do evento dos dias 21 e 22 de abril de 1990: André Petry, Anna Barros, Artemis Moroni, Artur Matuck, Carlos Bottesi, Carlos Fandon Vicente, DAX Group, Eduardo Kac, Elisabeth Bento, Ernesto Mello, Eunice da Silva, Gilbertto Prado, Hank Bull, Hermes Renato Hildebrand, Irene Faiguenboim, Karen O’Rourke, Mário Ramiro, Milton Sogabe, Paulo Laurentiz e Roy Ascott. E mais tarde o projeto Reflux concebido e coordenado por Artur Matuck, que participou da XXI Bienal de São Paulo em 1991, realizou transmissões entre localidades diferentes usando fax, televisão de varredura lenta e computadores.

O projeto Onitorrinco de Eduardo Kac que se iniciou em 1989, funda segundo seu autor a Telepresença. Desde 1986 o artista usa junto aos sistemas de telecomunicação, a interatividade e a telerobótica. Mas a Telepresença em rede só foi utilizada em 1994 na instalação conhecida como Onotorrinco no Éden, que estabeleceu por cinco horas a ponte entre os lugares Seattle, Chicago, e Lexington e a Internet, pela qual observadores de diferentes pontos geográficos puderam observar o evento, um telerobô em Chicago era controlado por participantes de Seattle e Lexington (www.ekac.org/kac2.html).

DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

A Telepresença depende de um suporte tecnológico bidirecional que permita em tempo real a interação em seus diversos níveis: a começar pelo próprioceptivo, característico dos formatos que envolvem a Realidade Virtual quando o corpo é a interface com a realidade, até o linguístico. O corpo segundo Biocca (Biocca, 1997) simula estados mentais e os comunica intencionalmente ou não ao outro interagente, numa espécie de "contágio de afecção". A interação advinda dessa afecção deve ser desenvolvida enquanto conceito separadamente do da interatividade - salientado mais nos formatos de videogame, no hipertexto e nos programas educacionais e informacionais. Porque a interação exige uma comunicação bilateral e não pode ser confundida com a interatividade proposta pelos produtos educacionais, quando o interlocutor tem opções de comandos pré-fixadas anteriormente pelo sistema. As formas de interação possibilitadas pelas recentes tecnologias, geram novos significados psicosociais. A Internet2 segundo Frank Biocca (2000, http://www.mindlab.org) deve ultrapassar a capacidade humana de absorver os fluxos de informação disponibilizados, forçando a comunicação interpessoal a níveis de interatividade e de sociabilidade até então impossíveis na rede, e exigindo como prerrogativa o redelineamento do design das interfaces e dos aplicativos.

Além da bi ou multidirecionalidade, a Telepresença enfocada pelo projeto prioriza o fato de a interação entre os núcleos se dar em tempo real, em tempo autêntico, e não superestima a influência que o avanço tecnológico das telecomunicações possa exercer para a interação se efetivar. Propomos um conceito de Telepresença mais próximo do de John Canny e Eric Paulos chamam de "social machine", não tão dependente da telerobótica e do número de canais sensórios disponibilizados, e mais voltado à interação interpessoal à distância, à capacidade de afecção do outro à distância e da resposta espontânea às intervenções do telepresente através de interfaces usando a plataforma da videoconferência. Para tanto é necessário:

  1. Interação em tempo real à distância (tempo real significando à medida que a ação se desenrola, momento por momento, mesmo que o tempo seja vivido subjetivamente e possa ser sentido como esgarçado ou encurtado).
  2. Comunicação dialógica entre dois ou mais pontos (em rede).
  3. Reatualização constante de dados audiovisuais ao menos.
  4. Sistema aberto mesmo que regido por certas regras (os eventos de RV são na maior parte fechados propondo interações limitadas anteriormente pelo sistema).
  5. Supressão ou diminuição do estímulo do espaço local que configura o estar fisicamente presente.

O objetivo do projeto é acompanhar o desenvolvimento da Telepresença como manifestação artística, avaliar as interfaces utilizadas, assim como propor um modelo de interação em tempo real através da Telepresença em uma estrutura de rede na Internet. Essa estrutura deve ser decorrente da tradicional estrutura de pirâmide, criticada por pressupor uma hierarquia e uma autoridade central, associada à da árvore e à da rede. Trata-se da transmissão e da recepção simultânea entre um polo considerado como o propositor das ações conectado a outros pontos que dialogam entre si formando núcleos.

 

JUSTIFICATIVA

Embora o sistema de videoconferência tenha sido discutido nos laboratórios da companhia Bell já nos anos 20, e que desde 1960 a AT&T possua salas aparelhadas tecnicamente para essa finalidade (Egido, 1988), o uso dessa tecnologia para fins artísticos mesmo no cenário internacional é mais esporádico do que nas investigações da medicina que usam a Telepresença para fins de diagnóstico, nas da engenharia para as operações de comandos robóticos, e nas da pedagogia do ensino à distância. No Brasil o Laboratório de Ensino à Distância (LED) do Programa de Pós-graduação em engenharia de produção (PPGEP) da UFSC de Santa Catarina usa esses recursos avançados de comunicação digital para fins didáticos desde 1995.

Como proposição artística a Telepresença é um meio ainda novo entre nós carecendo de uma definição mais apropriada às nossas condições técnicas e inventivas. E a integração para fins artísticos da comunicação de dados hápticos, voz, texto e imagem, deve ser investigada como linguagem intermídia, fruto do processo de semiose entre as artes plásticas, cênicas e as do vídeo.

O projeto de arte colaborativa em rede Perforum: Mídia Performance Forum (http://www.udesc.br/perforum), vem realizando desde setembro de 1999 eventos interativos de ciberperformance e Telepresença (interação telepresencial) através da videoconferência ponto a ponto, utilizando desde o datafone 64, o RDSI, e a Internet1 (CuseeME e ivisit). Concebido por Artur Matuck em 1998 inicialmente como banco de idéias para co-autorias e fórum de discussão temática na Internet sobre arte, tecnologia e história entre os participantes advindos dos países que colonizaram o Brasil, o projeto recentemente tem se voltado para as pesquisas da Internet2 para atuar junto à REMAV (Rede Metropolitana de Alta Velocidade) para propor eventos colaborativos mutipontuais, e em rede, que ainda sustentem um nível razoável de imersividade - entre outros tantos o problema da limitação do campo visual do usuário no monitor da Internet é um agravante - e de interação como na Telepresença.

Alguns trabalhos de Telepresença se baseiam em modelos de rede específicos. Como é o caso do projeto intitulado Traces de Simon Penny de 1999, ainda em andamento, quando as sensações espaciais foram compartilhadas entre telepresentes em Bonn, Tokio e Chicago; e o Triad da artista finlandesa Marikki Hakola. Ambos trabalhos se utilizam de um esquema triádico (na verdade diádico pois as respostas aos estímulos ocorrem vetorialmente). O esquema adotado pela pesquisadora permite a dança telepresencial de duas bailarinas em localidades remotas, uma em Tóquio e outra em Nova York, que interagem com um percurssionista presencial para uma audiência em Helsinki (http://triad.kiasma.fng.fi acessado dia 08/09/99). Ela analisa a interatividade em seus trabalhos de Telepresença segundo a abordagem semiótica do modelo triádico adotado por Charles S. Peirce, paralelamente à sua pesquisa das técnicas de montagem do cineasta Sergei Eisenstein. Na verdade o trabalho de Marikki se trata de uma ciberperformance que é disponibilizada na Internet como uma "Hipermontage", como ela define, uma pós-edição em vídeo da interação entre os interagentes distantes.

Mas nem todos os aplicativos que produzem a sensação de copresença utilizam a videoconferência como interface de interação entre telepresentes. Como é o caso da Realidade Virtual e do Cinema Interativo que operam com a ilusão de navegação em um espaço tridimensional, porém não são voltados para a relação interpessoal em tempo real como a videoconferência é. Um exemplo de Telepresença que enfatiza mais a interação num espaço virtual do que a relação interpessoal é o Lifespacies desenvolvido por Cristha Sommerer e Laurent Mignonneau, ambos professores da Academia Internacional de Artes Midiáticas e Ciência de Bifu, Japão (IAMAS), e pesquisadores do Laboratório de Kyoto de Integração Midiática e Comunicação (ATR) (http://www.ntticc.or.jp/~lifespacies).

 

DISCUSSÃO BIBLIOGRÁFICA

A bibliografia enfoca o desenvolvimento da estrutura comunicativa do audiovisual, a telepistemologia, a interatividade como as novas narrativas do cinema interativo, e a imersão propiciada pela Realidade Virtual e pela Telepresença. Pude efetivar até o momento uma consulta bibliográfica pela Internet e em parte pelas anotações do Simpósio Invenção em agosto de 1999 organizado pelo Itaú, e pelo Sciences of Interface no ZKM. Da bibliografia levantada pela Internet a que mais se aproxima de meu objeto de pesquisa são os títulos relacionados à Realidade Virtual, às novas narrativas e ao cinema interativo, além dos da psicologia que estudam a presença, a memória e a copresença virtual.

HIPÓTESES

As interfaces que possibilitam a interação em tempo real na Internet são ainda bastante precárias. Os softwares comerciais como o CuseeMe e o ivisit favorecem a comunicação interpessoal mas são limitados quanto à imersividade. A Internet2 deverá permitir um fluxo maior de dados propiciando uma maior imersividade na Telepresença. Mas para favorecer uma socialização da experiência sensorial e permitir uma interação mais profunda, a estrutura comunicativa tem de ser redesenhada à nível de software e de hardware.

 

metodolOgiA

Pesquisa: histórica, dos eventos artísticos sobre Telepresença e espaço virtual tanto em bibliografias específicas quanto em visitas a sites que abordem o tema na rede; teórica, sobre interação na Telepresença, teleimersão e telepistemologia; e de campo, acompanhando e atuando como pesquisadora nos projetos de Telepresença do M.I.N.D. Lab da Michigan State University na Internet. O projeto de tese compreende ainda a elaboração de um evento em rede de Telepresença pela Internet a partir da análise das disponibilidades técnicas de interação à distância através de interfaces, e com base nas reflexões conceituais que nortearão uma definição mais particularizante de Telepresença.

 

 

 

TEORIAS A SEREM SEGUIDAS

Telepistemologia; ciências cognitivas; artes em novas mídias como a Realidade Virtual e a Telepresença.

RESULTADOS ESPERADOS

Chegar a um conceito de Telepresença voltada mais à interação proprioceptiva, e sugerir um modelo em rede na Internet de interação à distância em tempo real através de interfaces.

Pesquisa teórica-prática sobre interação em Telepresença. Levantamento do uso das estruturas comunicativas que possibilitem a interação de dados audio-visuais em tempo real na Internet; elaboração do roteiro e transmissão de um evento de Telepresença; registro do evento em forma de CD-ROM ou outro formato da Hipermídia.

 

Cronograma REALIZADO

2/ semestre 1998:

Disciplina: Escrituras eletrônicas. Prof. Artur Matuck ECA/USP

1/ semestre 99:

Disciplina: Diálogo com o "outro": tradução e ética. Prof. Marcio Seligmann-Silva Comunicação e Semiótica PUC/SP.

Disciplina: Entre a arte e a clínica. Prof. Suely Rolnik. Subjetividade e Interdisciplinaridade I da Psicologia Clínica PUC/SP.

Visita monitorada ao Laboratório de Ensino à Distância da UFSC (LED) pelo mestrando em Engenharia de produção da UFSC Fernando Spanhol e Prof. João Vianney.

2/ semestre de 99:

Disciplina de módulo III: Elaboração de projetos. Prof. Winfried Nöth PUC/SP.

Disciplina: Seminário de práticas laboratoriais. Tema: Teoria e produção em hipermídia. Prof. Sergio Bairon PUC/SP.

Disciplina: Códigos intersemióticos. Do texto à hipermídia: problemas comunicacionais em novas tecnologias. Prof. Philadelpho Menezes (como ouvinte).

Participação como ouvinte do Simpósio INVENÇÃO: Pensando o próximo milênio, patrocinado pelo Itaú Cultural.

1o Evento de videoconferência do projeto Perforum entre o CIEP da FEA/USP e o LED da EPS/UFSC: 23 de Setembro.

2o Evento de videoconferência do projeto Perforum entre o CIEP da FEA/USP e o LED da EPS/UFSC: 22 de outubro.

3o Evento de videoconferência do projeto Perforum entre o CIEP da FEA/USP e a TELESC/SC: 17 de dezembro.

Fórum temático pela Internet do projeto Perforum: "A comunicação eletrônica como ritual telestésico", 25 de novembro, www.led.ufsc.br/perforum e teste de CuseeME através da UDESC.

Janeiro a fevereiro de 2000 – Elaboração dos trabalhos das disciplinas do segundo semestre de 99. Início da pesquisa teórica e de campo. Edição do 1o vídeo das videoconferências do Perforum.

1/ semestre de 2000 – Matrícula em orientação; e na disciplina: P.E.1. Comunicação e Cultura global. Prof. Philadelpho Menezes PUC/SP.

4o e 5o Eventos de videoconferência do projeto Perforum entre o CIEP da USP e a UNIVALI: dias 18 e 19 de abril de 2000.

Participação como ouvinte do Sciences of Interface no ZKM de Karlsruhe, Alemanha, dias 18, 19, 20 e 21 de maio de 2000.

Participação como expositora, relatora e ouvinte do IX Encontro anual da COMPÓS: 30 de maio a 2 de junho de 2000. Apresentação do texto: Tele-Evento-Pensamento: a imagem mediada na vioconferência e na telepresença e do vídeo Perforum Fragmentos. http://wawrwt.iar.unicamp.br/compos2000/9yara.html

6o Evento de videoconferência do projeto Perforum entre a Sala da Sony e a UNIVALI: dia 29 de maio de 2000.

7o Evento de videoconferência do projeto Perforum entre a ANHEMBI-MORUMBI e a UNIVALI: dia 26 de junho de 2000.

2/ semestre de 2000 –

Participação como palestrante do Festival Internacional da Linguagem Eletrônica,FILE, Perforum projetando fluxos de Informação e Conectando Culturas: apresentação do texto: A interação hipertextualizada, do vídeo Teleróide: artista de lata e videoconferência aberta através do ivisit: 31 de agosto de 2000.

8o Evento de videoconferência do projeto Perforum entre a ANHEMBI-MORUMBI e a UNIVALI: dia 15 de setembro de 2000.

Qualificação do projeto de doutorado; teste de proficiência da segunda língua estrangeira; contato com universidades estrangeiras; elaboração da pesquisa teórica e prática; transmissões entre São Paulo e Santa Catarina.

Cronograma A ser REALIZADO

1/ semestre de 2001 - Bolsa sanduíche para realização de pesquisa de campo no M.I.N.D. Lab da Michigan State University, trabalhando ativamente em três projetos: Teleportal, para interação face à face na Internet2 e Mobile Infosphere. Os projetos envolvem programação e avaliação de interfaces e Telepresença.

2/ semestre de 2001 – Continuação da pesquisa de campo no M.I.N.D.Lab da Michigan State University

1/ semestre de 2002 - Finalização da redação da tese, elaboração e transmissão do evento de Telepresença: a interação através de interfaces na Internet.

Agosto de 2002 – Defesa da tese e entrega à secretaria de Pós-graduação das cópias da tese, e do registro do evento de Telepresença em CD-ROM ou outro formato da hipermídia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cronograma de pesquisa no exterior

 

 

 

 

Estudo de Campo/Tele-

Transmissão. Participação na elaboração dos projetos do M.I.N.D.: Teleportal para Internet2; Mobile Infosphere.

Estudo de softwares:

Networked computing, Design de interfaces.

Avaliação de Interfaces Tele-imersivas

Pesquisa em Telepistemologia,Teleimersão e Ciência Cognitiva

Levantamento bibliográfico; redação da tese

Participação em Simpósios e Seminários

Jan

01

x

x

x

Fev

01

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x

x

Mar

01

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x

Abr

01

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x

x

Mai

01

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x

Jun

01

x

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x

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Jul

01

x

x

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x

Ago

01

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x

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x

x

Set

01

x

x

x

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Out

01

x

x

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Nov

01

x

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x

x

x

Dez

01

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x

x

x

Jan

02

x

x

x

x

 

 

 

Finalização da tese no país e realização da transmissão da telepresença: interação através de interfaces na Internet

Redação da tese

Roteiro e levantamento do material da transmissão

Transmissão

Edição da documentação

da transmissão

Edição de um CD-ROM sobre a transmissão

Apresentação do material e defesa da tese

Fev

02

x

x

Mar

02

x

x

Abr

02

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DISSERTAÇÕES

Cinestesia de Sergio Basbaun (PUC)